Reabilitação Funcional

janeiro 15, 2016

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Em janeiro de 2014, nosso Responsável Técnico, João Paulo Martins, deu uma entrevista especial à revista Alpha Fitness, sobre Reabilitação Funcional. Veja aqui na íntegra a entrevista:

Por Luciana Silva / Fotos Pedro Heleno

1. O que é Reabilitação Funcional?

 A reabilitação funcional é um processo  global e contínuo destinado a identificar e a corrigir a incapacidade, a desenvolver ou a  restabelecer as aptidões e capacidades para se ter uma vida considerada normal, através de técnicas específicas, sejam elas manuais ou com exercícios funcionais.

É importante analisarmos a pessoa como um todo, considerando as várias dimensões da saúde – biológica, individual e social. Devemos dar ênfase aos desejos de melhora de funções gerais como: atividades básicas de vida diária (ABVDs), atividades instrumentais, esportes, etc.

2. Quais são as técnicas utilizadas?

Na verdade pode-se utilizar as mais diversas técnicas, pois a reabilitação funcional se atém ao indivíduo e não a um problema específico. Temos que estar atentos aos mais diversos fatores que podem interferir naquele processo. Por exemplo: não tratamos um joelho com artrose, mas uma pessoa que tem artrose no joelho, que tem dificuldade em fazer suas atividades domésticas, ou laborais, que por conta da dificuldade em andar deixa de frequentar alguns lugares que gostaria de ir, ou praticar algum esporte de sua preferência. Eu não posso dizer simplesmente que ela não pode mais fazer essas atividades. Eu tenho que buscar meios para que ela faça de maneira melhor.

Somente para citar, atualmente aqui na Quali & Vitta Exclusive, utilizamos técnicas como Terapia Manual, Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP), Osteopatia, Dry Needling, Bandagem Elástica, Biofeedback, entre outras. Essa é uma das vantagens da reabilitação funcional, pois o paciente não fica restrito a apenas uma técnica de tratamento.

3. Qual o objetivo da reabilitação funcional?

O objetivo depende de uma abordagem individual do paciente. Cada pessoa tem os seus desejos, suas necessidades. Por exemplo: uma pessoa que gosta de praticar corrida, ou praticar tênis mas que sente dor durante essas práticas, deve ser investigado o porque de tais situações  e tentar corrigir dentro da função que ele está relatando o problema. Então deve-se investigar em qual movimento está ocorrendo a dor, como ele está realizando aquele movimento, se tem alguma restrição na região ou segmentos próximos, quais estruturas podem estar lesionadas e como corrigir toda a ação que desencadeia a dor.

 

4. Quais pacientes são indicados para a reabilitação funcional?

Qualquer pessoa que esteja referindo alguma dificuldade em realizar uma ou mais atividades, seja ela no lar, no trabalho ou durante a atividade física. Perceba que eu não estou me atendo à patologias específicas, pois até mesmo dentro de uma mesma patologia eu posso ter indivíduos com queixas, limitações e desejos diferentes.

5. Como é desenvolvido o trabalho da Reabilitação Funcional?

Inicialmente devemos fazer uma avaliação físico-funcional completa do paciente, tentando identificar os mais diversos fatores que influenciam naquele problema específico. Diante da queixa principal podemos realizar uma avaliação postural, avaliação da marcha, da função, etc. Nossa avaliação pode constar inclusive de uma análise eletromiográfica da função muscular, que consiste em identificar como é o recrutamento muscular daquela pessoa, se há um desequilíbrio na solicitação muscular, qual tipo de fibra preferencialmente é utilizada naquela função, entre outras informações. Com isso o programa de exercícios é feito especificamente para aquela situação encontrada. Dificilmente teremos o mesmo exercício realizado por duas pessoas diferentes, mesmo que apresentem queixas semelhantes, pois a forma como cada uma solicita a sua atividade muscular é diferente. A intensidade, número de séries, tempo de contração, vai ser específico para aquele paciente, naquela função analisada. Então todo o tratamento é individualizado, personalizado para que possamos atingir o nosso objetivo de maneira mais rápida e eficiente.

 

6.Qual a duração do tratamento?

Não há como precisar. Como foi dito, cada indivíduo terá um tratamento específico diante das queixas que apresenta e dos próprios objetivos do paciente. Depende também das técnicas que serão utilizadas e da gravidade da lesão ou disfunção.

7. Qual a importância do tratamento?

Acho que o mais importante nesse tipo de tratamento é justamente o fato de não se limitar a uma técnica específica, além de tentar focar a função que a pessoa refere dificuldade em realizar e ao mesmo tempo trata-la como um todo. Voltando a realizar uma atividade que estava prejudicada, o indivíduo se sente mais disposto e satisfeito com o tratamento, tendo em vista que não tratamos apenas os sintomas que ele apresenta, mas sim a causa da disfunção, diminuindo o risco de recidivas. Considerando que esse tratamento é baseado também nos próprios anseios do paciente, isso contribui para minimizar alguns efeitos negativos psicossociais da doença.

8. Quando surgiu a reabilitação funcional?

Na verdade não existe uma data específica ou um criador específico da reabilitação funcional. A fisioterapia vem evoluindo constantemente e com o tempo foi-se observando que toda técnica tem pontos positivos, pontos falhos, efeitos colaterais, etc. Nenhuma técnica é 100% eficaz para determinados grupos de patologias. O que a reabilitação funcional faz é justamente tentar agregar o que há de melhor em cada técnica para aquela disfunção que o paciente apresenta, tentar eliminar e/ou minimizar todos os fatores que podem influenciar, predispor ou perpetuar aquele problema.

Esse conceito segue o modelo atual de saúde e da Classificação Internacional de Funcionalidade – CIF, preconizada pela Organização Mundial de Saúde – OMS, que determina uma abordagem biopsicossocial do indivíduo, considerando não só os aspectos da lesão, mas também fatores pessoais e ambientais relacionados.

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